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O Rwanda já ganhou a final antes do início da Liga dos Campeões

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O Rwanda já ganhou a final antes do início da Liga dos Campeões

Antes mesmo do início da final da Liga dos Campeões entre o Paris Saint-Germain e o Arsenal, um vencedor já se destaca: o Rwanda. Essa vitória não vem de nenhum dos dois clubes, mas do acordo de patrocínio com "Visit Rwanda", que patrocina ambas as equipes finalistas. Os observadores podem facilmente notar o logo da campanha turística do Rwanda nos uniformes dos jogadores.

Há vários anos, Kigali investe pesadamente em esportes internacionais para transformar sua imagem e atrair turistas e investidores ricos. O objetivo é claro — criar uma marca global para o Rwanda, que historicamente esteve associado principalmente ao genocídio dos Tutsis em 1994. O governo de Paul Kagame está promovendo ativamente uma narrativa de estabilidade, modernidade, organização, inovação, turismo premium e oportunidades de negócios. Portanto, o esporte fornece uma plataforma única para alcançar um público amplo em todo o mundo.

O ponto de virada ocorreu em 2018 com o Arsenal. Quando uma nação africana patrocinou um gigante da Premier League, isso surpreendeu muitos, e a visibilidade disparou. A cada fim de semana, milhões de pessoas viam o nome "Rwanda" destacado nos braços dos jogadores. O Arsenal foi escolhido estrategicamente, dado seu prestígio internacional, como uma porta de entrada ideal para atrair visitantes de alto poder aquisitivo que provavelmente viajariam para o Rwanda.

Com a parceria com o PSG, os esforços do Rwanda aumentaram significativamente. Os valores envolvidos são notáveis, com relatórios sugerindo que o contrato assinado em 2019 com o Paris Saint-Germain poderia render cerca de 15 milhões de euros anualmente para o clube. Kigali vê esse investimento como essencial para promover o turismo, um setor crucial para a economia do país, que representa aproximadamente 12% do PIB. O Rwanda tem como meta ultrapassar 1 bilhão de dólares em receitas anuais com turismo até o final da década.

A estratégia não se trata de vender um produto, mas de comercializar um país. Táticas semelhantes foram empregadas pelo Catar com o PSG e por Abu Dhabi com o Manchester City. Para o Rwanda, a abordagem parece eficaz; as receitas do turismo aumentaram, com o número de visitantes ultrapassando 1,3 milhão anualmente. Kigali também tem realizado com sucesso grandes eventos esportivos internacionais, incluindo campeonatos mundiais de ciclismo recentes e competições da Basketball Africa League.

O Rwanda agora está estendendo suas estratégias além da Europa para engajar os Estados Unidos, tendo assinado parcerias com grandes franquias como os Los Angeles Clippers da NBA e os Los Angeles Rams da NFL. Gradualmente, outras nações africanas estão adotando estratégias semelhantes. A República Democrática do Congo também começou a patrocinar vários grandes clubes europeus, incluindo o FC Barcelona, o AS Monaco e o AC Milan. Assim, o esporte evoluiu de apenas uma arena diplomática para um espaço de competição econômica entre as nações.

Fonte: rfi.fr.